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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os Últimos Dias de [acordo com] Jesus Parte I – Marcos 13

Serie de Sermões em Marcos
Titulo: Os Últimos Dias de [acordo com] Jesus Parte I – Marcos 13
Pregado na manhã de Domingo, do dia 30 de Janeiro de 2012,
na Igreja Reformada em Campinas Soli Deo Gloria,
por Gustavo Barros

Versão em vídeo

Introdução e Contextualização:
Chegamos a um dos capítulos mais importantes de todo o evangelho de Marcos. Esse capítulo não é só importante pelo conteúdo teológico que nele há, mas por toda a controvérsia de interpretação que ele produziu e ainda produz.
Com certeza, esse é um dos textos mais abusados e mal interpretados de toda a Bíblia.
Além das inúmeras falsas profecias sobre o fim do mundo, tendo como base esse texto, o filósofo inglês Bertrand Russel, que escreveu Why I AM Not a Christian, usa passagens desse capítulo de Marcos para criticar Jesus e o cristianismo. A principal passagem usada por ele é Marcos 13:30. Ele alega que Jesus estava enganado sobre o fim dos tempos e que, se Jesus estava enganado, então Ele não foi perfeito.
Precisamos estudar de forma séria esse texto para que: 1) possamos retirar todos os nutrientes espirituais para o nosso crescimento em santidade; 2) não façamos como tantos outros que deturparam a passagem e criaram falsas esperanças; 3) possamos nos defender de ataques como o de Bertrand Russel.
Geddert disse, “Uma tarefa ainda não foi cumprida: a tarefa de interpretar Marcos 13 cuidadosamente e compreensivamente no contexto do Evangelho de Marcos.” (T.J. Geddert, Watchwords – Mark 13 in Markan Eschatology, JSOT, 1989)
Esse é o nosso objetivo – estudar Marcos 13 no contexto do evangelho de Marcos. Como os discípulos de Jesus entenderam esse discurso? Como a igreja primitiva ouviu essa mensagem?
Para que possamos analisar o texto em seu contexto, é necessário um grande esforço de todos nós.
COMO INTERPRETAR ESSA PASSAGEM:
1 – Nós precisamos ler todo o texto e ver qual é a ideia principal do ensino de Jesus. Ao invés de nos preocuparmos com os detalhes, como é costume de muitos, primeiramente precisamos ver o que Jesus está realmente ensinando. Qual o ensino principal?
** Um dos grandes problemas é que a maioria das pessoas tenta interpretar de forma rigorosa todos os detalhes desse longo discurso de Jesus. Eles tentam de todas as formas encontrar os cumprimentos de cada palavra de Jesus na história da humanidade – isso cria muitos problemas.
Muito da linguagem dos profetas, quando se referiam ao fim dos tempos, era cheia de simbolismo e metáforas (palavras como cálice, testa, braço, estrelas...).
Ficar buscando significado e cumprimento histórico em todas as palavras de Jesus, que muitos supõem que eram profecias sobre o fim de Jerusalém ou sobre a segunda vinda, é voltar no tempo e se comportar como os antigos alegorizadores que buscavam significado em todos os detalhes das parábolas. Se formos por esse caminho, precisaremos procurar relatos de mulheres grávidas, pessoas no telhado da casa, pessoas no campo sem manto (13:15-17). Fica muito difícil esse tipo de interpretação literal e histórica de todos os detalhes, pois o próprio texto tem generalizações (por exemplo, v.18).
O gênero apocalíptico não fica preso a detalhes, mas tem foco no conteúdo como um todo.
O livro de Apocalipse tem várias passagens que seriam impossíveis de serem interpretadas como algo literal e histórico. O mesmo ocorre com os livros de Ezequiel, Daniel e Zacarias.
Geralmente, a linguagem metafórica e com hipérboles tem o objetivo de mostrar a seriedade do que está ocorrendo ou está para ocorrer.
O mesmo acontece com o discurso apocalíptico de Jesus em Marcos 13. O nosso Senhor usa linguagem apocalíptica, cheia de simbolismo para mostrar a severidade e a importância do que está para ocorrer! Muito do vocabulário de Jesus vem dos profetas, quando esses anunciavam o grande dia do Senhor, o dia de julgamento!
Portanto, não devemos ficar presos a detalhes primeiramente, mas ao conteúdo principal. Os detalhes mais obscuros devem ser interpretados à luz dos ensinos claros e não ao contrário!
2 – A Bíblia interpreta a Bíblia. Não são os jornais e nem os acontecimentos no mundo que interpretam as passagens bíblicas, mas a própria Palavra.
*Muitas pessoas tendem a olhar para passagens bíblicas como essa e procurar o significado e a interpretação em acontecimentos históricos. Mas não devemos interpretar a Palavra de Deus dessa forma. A Palavra interpreta a própria Palavra!
Como o próprio evangelho de Marcos interpreta esse texto? Como o conteúdo principal do capítulo 13 é desvendado no decorrer de Marcos?
3 – Todo texto se encontra em um contexto. Sempre que estudamos uma passagem, nós precisamos de todo o contexto (contexto do capítulo, do livro e da Bíblia). Qual o contexto todo dessa passagem?
4 – É necessário entendermos a escatologia do Antigo Testamento. Na escatologia do A.T. o foco não é a segunda vinda do Messias, mas a primeira. A Nova Aliança é concretizada na morte de Jesus. O templo cessa de exercer sua função com a morte de Jesus (ver Hebreus 8-10). Todo domínio, honra, poder e glória são dados a Jesus na ascensão dEle ao trono de Deus (Daniel 7:13-14). A redenção verdadeira é concretizada na morte do Servo Sofredor (Isaias 53).
A escatologia do A.T. tinha como foco principal a primeira vinda do Messias, a Sua morte, ressurreição e ascensão.
A morte, ressurreição e ascensão de Jesus trouxeram o julgamento do final dos tempos? Sim! A antiga ordem foi julgada. Uma nova ordem foi estabelecida. Uma nova era começou! Com a chegada do Filho do Homem à direita do Pai, o reino e o poder foram transferidos para Jesus. O Novo Testamento deixa bem claro que o reinado e o poder pertencem a Jesus (At 2:32-33,36 32 Deus ressuscitou este Jesus, e todos nós somos testemunhas desse fato.33 Exaltado à direita de Deus, ele recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e derramou o que vocês agora vêem e ouvem.36 "Portanto, que todo Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo".
; Hb 8:1-2 O mais importante do que estamos tratando é que temos um sumo sacerdote como esse, o qual se assentou à direita do trono da Majestade nos céus 2 e serve no santuário, no verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, e não o homem; 1:1-3 Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,2 A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.3 O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; 10:12-13 Mas quando este sacerdote acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus 9assentar representa o domínio e reinado). 13 Daí em diante, ele está esperando até que os seus inimigos sejam colocados como estrado dos seus pés; I Co 15:23-25 Mas cada um por sua vez: Cristo, o primeiro; depois, quando ele vier, os que lhe pertencem. 24 Então virá o fim, quando ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destruído todo domínio, autoridade e poder. 25 Pois é necessário que ele reine (ele está reinando) até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés; Ap 3:21 Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono).
Muitos cristãos passam a vida tão apreensivos com a segunda volta de Jesus que se esquecem de todos os privilégios e bênçãos que Cristo já conquistou com a sua vinda, morte, ressurreição e ascensão. Ele voltará só para finalizar o que Ele já conquistou!
Então, é importante lembrarmos a escatologia do Antigo Testamento! Jesus e seus discípulos compartilhavam da escatologia do Antigo Testamento, a qual focava em um grande evento no final dos tempos, isto é, a manifestação do Reino de Deus (Dan. 2:44; 7:13-14). Jesus estava preocupado em alertá-los desse grande dia, o dia que traria o fim de Israel e seu sistema religioso e o fim da antiga ordem. Isso tudo ocorreu na crucificação e exaltação (ascensão) de Jesus, quando o Filho do Homem ascendeu às alturas, assentou-se a direita do Pai e recebeu o domínio do Reino!
DIFERENTES INTERPRETAÇÕES DE MARCOS 13:
Marcos 13 tem pelos menos 5 tipos de interpretações. Segue os 3 tipos mais comuns e mais encontrados:
1 – A grande maioria interpreta essa passagem com uma referência a 2° vinda de Jesus (parousia). Eles entendem que as palavras de Jesus são profecias sobre a segunda vinda de Jesus e o fim do mundo. Essas pessoas ficam buscando sinais.
2 – Muitos acreditam que Jesus não estava se referindo à Sua segunda vinda, mas Ele estava falando sobre a destruição do templo e de Jerusalém em 70 d.C. pelo então comandante romano Tito.
3 – Alguns misturam as duas interpretações dizendo que Jesus se referia tanto a destruição do templo em 70 como também ao fim dos tempos e Sua segunda volta. Vendo nas palavras de Jesus um duplo e até triplo sentido.
Quando consideramos o evangelho de Marcos como um conjunto, nós achamos sérios problemas com essas interpretações. O contexto deixa claro que Jesus está falando sobre um evento e não vários!
CHAVES IMPORTANTES PARA NÓS ABRIRMOS A INTERPRETAÇÃO DE MARCOS 13:
1 – A VINDA DO FILHO DO HOMEM (Mc 13:24-26):
A vinda do Filho do Homem é o evento que possui a chave para a interpretação desse discurso e, portanto, de todo o capítulo 13 de Marcos.” (Peter Bolt, The Cross from a Distance – Atonement in Mark´s Gospel, IVP, pg 94)
Muitos interpretam essa passagem como se referindo a vinda de Jesus dos céus para a terra. Isso implica em uma leitura deturpada de Daniel 7:13-14. O problema fica mais grave, pois quando interpretamos que o Filho do Homem está vindo dos céus para a terra nós fazemos Jesus culpado por essa aplicação e leitura errada do texto de Daniel.
A ‘vinda do Filho do Homem’ é uma citação de Daniel 7:12-14 - 12E foi tirada a autoridade dos outros animais, mas eles tiveram permissão para viver por um período de tempo.13 "Na minha visão à noite, vi alguém semelhante a um filho de um homem, vindo com as nuvens dos céus. Ele se aproximou do ancião e foi conduzido à sua presença. 14 A ele foram dados autoridade, glória e reino; todos os povos, nações e homens de todas as línguas o adoraram. Seu domínio é um domínio eterno que não acabará, e seu reino jamais será destruído.
A visão que Daniel teve foi da história da humanidade, com reinos se levantando contra reinos (compare com Mc 13:7-8). Em seguida o profeta vê uma cena de julgamento com o Ancião dos Dias tomando o Seu lugar na corte e os livros sendo abertos (7:9-10). Em seguida o domínio é retirado das nações (v.12) e Daniel vê uma figura humana e divina que vai, nas nuvens, ao Ancião dos Dias e recebe um trono, autoridade, glória e um domínio eterno.
A linguagem é semelhante a Daniel 2:44 e 4:34 que falam do domínio eterno de Deus sobre os domínios da terra.
A questão é: Quando a profecia de Daniel 7:13-14 foi cumprida?
Daniel perguntou quando isso tudo ocorreria, mas ele foi prometido que não viria (cap. 12). O que ele tanto ansiava ver, Jesus nos diz que os discípulos viram (Lc 10:24; I Pe 1:10-11).
Jesus prometeu a mesma coisa em Marcos 14:62 – 60 Depois o sumo sacerdote levantou-se diante deles e perguntou a Jesus: "Você não vai responder à acusação que estes lhe fazem?" 61Mas Jesus permaneceu em silêncio e nada respondeu. Outra vez o sumo sacerdote lhe perguntou: "Você é o Cristo, o Filho do Deus Bendito?" 62 "Sou", disse Jesus. "E vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso vindo com as nuvens do céu". 63 O sumo sacerdote, rasgando as próprias vestes, perguntou: "Por que precisamos de mais testemunhas? 64 Vocês ouviram a blasfêmia. Que acham?" Todos o julgaram digno de morte.
A própria Bíblia nos diz quando essa profecia foi cumprida. E vemos que Daniel 7:13-14 foi cumprido na ascensão de Jesus.
Os grandes teólogos na história da igreja alegam que Daniel 7:13-14 foi cumprido com a ascensão de Jesus.
Calvino comentando sobre Daniel 7 disse, “Essa passagem, portanto, sem a menor sombra de dúvida, deve ser recebida como a ascensão de Cristo, quando ele cessou de ser um ser mortal.
Vemos isso através do Novo Testamento:
Mc 16:19 Depois de lhes ter falado, o Senhor Jesus foi elevado ao céu e assentou-se à direita de Deus; Mt 28:19 Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra”; At 1:9-11 Tendo dito isso, foi elevado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu da vista deles. 10 E eles ficaram com os olhos fixos no céu enquanto ele subia. De repente surgiram diante deles dois homens vestidos de branco, 11 que lhes disseram: "Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como o viram subir"; At 7:55 Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus de pé, à direita de Deus, 56 e disse: "Vejo o céu aberto e o Filho do homem de pé, à direita de Deus"; Ef 1:20-23 Esse poder ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o assentar-se à sua direita, nas regiões celestiais, 21 muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se possa mencionar, não apenas nesta era, mas também na que há de vir. 22 Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou como cabeça de todas as coisas para a igreja, 23 que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância; Fp 2:8-11 E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! 9 Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, 10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, 11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai; Hb 1:1-3 Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,2 A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.3 O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; I Pe 3:22 - por meio da ressurreição de Jesus Cristo, 22 que subiu ao céu e está à direita de Deus; a ele estão sujeitos anjos, autoridades e poderes; Ap 1:17-18 Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Então ele colocou sua mão direita sobre mim e disse: "Não tenha medo. Eu sou o primeiro e o último. 18 Sou aquele que vive. Estive morto mas agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do Hades; Ap 5:6-13 Então vi um Cordeiro, que parecia ter estado morto, de pé, no centro do trono, cercado pelos quatro seres viventes e pelos anciãos. Ele tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra. 7 Ele se aproximou e recebeu o livro da mão direita daquele que estava assentado no trono.8 Ao recebê-lo, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro. Cada um deles tinha uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos;9 e eles cantavam um cântico novo: "Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação. 10Tu os constituíste reino e sacerdotes para o nosso Deus, e eles reinarão sobre a terra".11 Então olhei e ouvi a voz de muitos anjos, milhares de milhares e milhões de milhões. Eles rodeavam o trono, bem como os seres viventes e os anciãos, 12 e cantavam em alta voz: "Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor!" 13Depois ouvi todas as criaturas existentes no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles há, que diziam: "Àquele que está assentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória e o poder, para todo o sempre! "
Fica claro que Jesus não estava falando de uma segunda vinda, mas da sua chegada ao trono do Ancião dos Dias e do recebimento de todo poder, glória, autoridade e domínio que ocorreram na sua ascensão, não na segunda vinda, nem na destruição do templo em 70 d.C.
2 – JESUS GARANTIU AQUELA GERAÇÃO DE DISCÍPULOS (13:30):
13:30-31 – “Eu lhes asseguro que não passará esta geração até que todas essas coisas aconteçam. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão”.
Outra chave importante para interpretar corretamente essa passagem é a promessa de Jesus de que os discípulos viriam isso tudo.
Muitos tentam interpretar a palavra ‘geração’ como ‘raça’, assim, Jesus estaria dizendo que a raça dos judeus não terminaria até que todas essas coisas ocorressem.
O grande problema é que a palavra ‘geração’ (Gk. γενε) não se refere à raça no Novo Testamento.
Aqueles que nascem no mesmo tempo constituem uma geração (genea)” (The NIV Theological Dictionary of New Testament Words, Zondervan, pg 243)
A conclusão é que os eventos profetizados ocorreram durante a vida da geração que estava vivendo.” (David Chilton, Paradise Restored, Dominion Press, pg 86)
Jesus já havia feito semelhante promessa aos Seus discípulos:
Mc 9:1 E lhes disse: "Garanto-lhes que alguns dos que aqui estão de modo nenhum experimentarão a morte, antes de verem o Reino de Deus vindo com poder".
Portanto, fica claro que o que Jesus está prometendo iria ocorrer na vida dos discípulos, não se trata de eventos sobre o fim do mundo.
V. 4 Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para se cumprir
V.30 Eu lhes asseguro que não passará esta geração até que todas essas coisas aconteçam.
Todas as coisas faladas e prometidas por Jesus tinham de ocorrer durante a vida daqueles discípulos. Por isso é impossível de ser a segunda vinda!
Muitos discípulos morreram antes da destruição do templo em 70 d.C.
Assim podemos concluir que:
- Jesus não estava se referindo à Sua segunda vinda.
- Jesus não estava se referindo à destruição do templo em Jerusalém.
- Jesus prometeu que aqueles homens viriam a ‘vinda do Filho do Homem’, e eles viram a ascensão de Jesus!
3 – O ‘SACRILÉGIO TERRÍVEL’ (NVI) OU A ‘abominação do assolamentO’ (ACF) (13:14):
13:14 – Quando vocês virem ‘o sacrilégio terrível’ no lugar onde não deve estar — quem lê, entenda — então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes.
Nos versículos 5-8 Jesus fala de coisas normais nesse mundo caído e afetado pelo pecado que em nada sinalizam o fim. Mas o versículo 14 tem uma mudança no tom. A ‘abominação’ é algo que sinaliza o fim!
Essa frase vem de Daniel – veja como Jesus coloca, “quem lê, entenda” (quem lê Daniel). Jesus mostra a importância de entender Daniel, pois está para ser cumprida a profecia.
A frase tem o sentido de algo que é “um sacrilégio, uma abominação para Deus, e que é destrutivo” (Peter Bolt, The Cross from a Distance – Atonement in Mark´s Gospel, IVP, pg 100)
Em todo caso, essa expressão deixou uma marca permanente na consciência dos judeus, e ela passou a simbolizar uma terrível afronta à santidade da casa de Deus e a Deus.” (Beale and Carson, Commentary on the New Testament Use of the Old Testament, Baker, pg 223)
FUTURISTAS: As pessoas que acreditam que Jesus estava falando sobre o fim do mundo alegam que esse ‘sacrilégio’ é o Anticristo que irá tomar o seu lugar em um novo templo em Jerusalém.
PRETERISTAS: Aqueles que alegam que Jesus estava falando sobre a destruição do templo têm muita dificuldade em identificar quem foi a ‘abominação’ – alguns alegam que foi Calígula, outros dizem ser Tito, ou o sacerdócio dos zelotes.
MINHA INTERPRETAÇÃO:
No contexto do evangelho, o sacrilégio terrível, a abominação do assolamento é a cruz!
Se essa linguagem apocalíptica está preparando os discípulos para morte vindoura de Jesus, isso implica que a crucificação será o ato destrutivo do sacrilégio. Isso se encaixa com o resto da história de Marcos, pois poderia haver um maior ato de sacrilégio do que a destruição do Filho de Deus de forma tão horrorosa? A liderança de Israel receberá o tão esperado Messias entregando-O para os gentios; isto é, entregando-O a ira de Deus. E se isso não fosse sacrilégio o suficiente, Pilatos, o representante dos gentios, receberá o Messias de Israel, e irá condená-Lo a morte através da crucificação... Se a destruição do templo de Deus por Nabucodonosor em 587 a.C., ou a profanação do templo por Ântioco Epifânio em 169 a.C., foi uma abominação cometida pelos gentios, quanto mais é o ‘templo do seu corpo’ profanado quando os gentios destroem o Filho de Deus na cruz ” (Peter Bolt, The Cross from a Distance – Atonement in Mark´s Gospel, IVP, pg 101)
Dessa vez não foi Antioco Epifânio, mas, ironicamente, a liderança rebelde de Israel, cuja cega idolatria os levou a guerrear com o povo de Deus e matar o Filho do Homem.” (Beale and Carson, Commentary on the New Testament Use of the Old Testament, Baker, pg 224)
Se Jesus é a pedra angular do novo templo de Deus, então crucificá-Lo é verdadeiramente o ato supremo de profanação no templo. Por isso, o rasgar do véu na morte de Jesus é o sinal profético de que o templo está efetivamente ‘morto’’” (Beale and Carson, Commentary on the New Testament Use of the Old Testament, Baker, pg 224)
A abominação do assolamento é Jesus Cristo crucificado! Por isso, Jesus disse que eles viriam tamanho sacrilégio! Não se trata de um futuro anticristo entrando em um templo em Jerusalém e nem de Tito destruindo o templo em 70, mas do Filho de Deus sendo entregue a ira de Deus!
4 – A GRANDE TRIBULAÇÃO (13:19):

Mc 13:19 – Porque aqueles serão dias de tribulação (aflição) como nunca houve desde que Deus criou o mundo até agora, nem jamais haverá.(NVI) OU Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá. (ACF)
Pessoas interpretam esse período das mais variadas formas. Alguns alegam que esse tempo está sendo o tempo de tribulação da nação de Israel, outros dizem que esses serão os dias da grande tribulação antes do arrebatamento da igreja, outros veem esse período como o tempo que antecede a vinda de Jesus. Alguns preteristas interpretam esse período como o tempo de destruição de Jerusalém pelos romanos entre 67-70 d.C.
Veja que Jesus percorre desde o tempo da criação até o fim dos tempos, indicando que essa aflição vindoura excederia qualquer sofrimento já visto ou experimentado em toda a história.
Tempo pior que o dilúvio nos dias de Noé, pior que a destruição de Sodoma e Gomorra, mais severo que a destruição de Jerusalém pelos babilônios em 586 a.C., pior que as guerras com Antioco Epifânio e pior que o holocausto comandado por Hitler.
Só um acontecimento pode ter sido esse tempo de tamanha aflição: a agonia do Filho do Homem ao levar o pecado do Seu povo na cruz e ter sido abandonado pelo Pai.
Não há nada superficial e de pouca importância nos sofrimentos de Cristo na cruz. A Sua morte foi o maior sofrimento que esse mundo já viu – ou verá. Nunca algum sofrimento irá superar o que Jesus experimentou na cruz” (Peter Bolt, The Cross from a Distance – Atonement in Mark´s Gospel, IVP, pg 103)
O próprio filho do Deus tomou os pecados do mundo inteiro em seus ombros e gritou 'meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?’. Aquilo nunca tinha sido visto antes e nunca será repetido. Aquele foi o tempo de maior angústia e sofrimento que já ocorreu, não é de admirar a pressão que estava sobre os discípulos para negarem o seu mestre e fugirem para segurança.
Poderiam os sofrimentos de Jesus no processo todo da crucificação (humilhado, traído, cuspido, espancado, despido, abandonado, destruído, crucificado como um marginal) serem comparados com qualquer outro tipo de sofrimento?
Quem ousa dizer que houve ou haverá sofrimentos e tribulações piores do que os que Cristo passou?
É muita superficialidade alegar que os dias durante a destruição de Jerusalém em 70 d.C. foram piores do que o processo de crucificação do Filho de Deus! Ou que qualquer outro período na história da humanidade possa ser comparado com aquele tempo de angústia e sofrimento que Jesus tomou sobre Si.
Podemos concluir que certas passagens em Marcos 13 nos fazem ver que o foco do ensino apocalíptico de Jesus não é a Sua segunda vinda, nem a destruição de Jerusalém em 70, mas uma preparação para a Sua morte e ascensão!
PROBLEMAS COM AS INTERPRETAÇÕES PRETERISTAS E FUTURISTAS:
1 – INTERPRETAÇÃO FUTURISTA:
É realmente MUITO difícil acreditar que os discípulos estavam falando sobre a segunda vinda de Jesus, pois:
A) A escatologia do Antigo Testamento não foca na segunda volta de Jesus, mas na vinda do Messias. O que eles mais ansiavam era a chegada do Messias e não uma suposta segunda volta.
B) Os discípulos tiveram extrema dificuldade em compreender a necessidade da morte de Jesus, quanto mais esperar uma segunda volta! Após a morte de Jesus, eles ficaram tristes e até mesmo decepcionados (Lc 24:1-8, 13-27; Jo 21).
Mc 9:10 Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do homem tivesse ressuscitado dos mortos. 10 Eles guardaram o assunto apenas entre si, discutindo o que significaria "ressuscitar dos mortos"
Se eles ainda não entendiam a ressurreição e ascensão, muito menos uma segunda volta!
Outro problema com a interpretação futurista é a alegação de que Cristo não sabe quando Ele irá voltar.
Mc 13:32 Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai.
Jesus disse que não sabia o tempo exato do que Ele estava falando para os Seus discípulos. Sobre o que Jesus não sabia o tempo exato?
Seria um tremendo absurdo afirmar que Jesus não sabe quando Ele irá voltar, pois a Bíblia mostra que Ele sabe.
Ap 6:9-11 Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram. 10 Eles clamavam em alta voz: "Até quando, ó Soberano santo e verdadeiro, esperarás para julgar os habitantes da terra e vingar o nosso sangue?" 11Então cada um deles recebeu uma veste branca, e foi-lhes dito que esperassem um pouco mais, até que se completasse o número dos seus conservos e irmãos, que deveriam ser mortos como eles.
I Co 15:23-25 Mas cada um por sua vez: Cristo, o primeiro; depois, quando ele vier, os que lhe pertencem. 24 Então virá o fim, quando ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destruído todo domínio, autoridade e poder. 25 Pois é necessário que ele reine (ele está reinando) até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés;
Ele está reinando e preparando tudo para a Sua volta. A Trindade sabe quando Jesus voltará.
A interpretação mais coerente é que, como homem ainda na terra, Jesus não sabia com exatidão o momento da Sua morte. Ele sabia como e quando, mas não a exatidão do tempo – talvez para aumentar ainda mais os Seus sofrimentos e angústia!
O que Jesus fala para os discípulos é que, como Ele, eles precisavam ficar atentos, pois estava para ocorrer. Os momentos de Jesus no jardim do Getsêmani nos mostram a aflição de Jesus. Ele sabia que estava para ocorrer, mas como homem Ele não sabia o tempo exato. Coube a Trindade decidir que só o Pai soubesse.
2 – INTERPRETAÇÃO PRETERISTAS (TEMPLO EM 70 d.C.)
O grande problema com a interpretação de que Jesus estava se referindo a destruição física do templo em 70 d.C. é que esse tipo de intepretação coloca uma ênfase enorme em um acontecimento na história política da nação de Israel após o fim da Antiga Aliança. A invasão do exército romano em 70 passa a ter mais importância teológica do que a crucificação e a ascensão de Jesus, o que é um absurdo na história da redenção!
As ações de Jesus no templo e contra o templo não eram com relação à estrutura do edifício, mas Jesus estava condenando todo o sistema religioso que aquele lugar representava. O foco de Jesus estava na condenação da liderança do templo e não na construção em si.
O contexto todo de Marcos 13 não revela um tema contra o templo em si, mas sim um tema contra as autoridades religiosas” (Peter Bolt, Mark 13: An Apocalyptic Precursor to the Passion Narrative, The Reformed Theological Review, pg 19)
Com a morte de Jesus, o templo perdeu toda a sua função religiosa. Jerusalém já não era mais o foco, mas sim todas as nações. A igreja se tornou o Israel de Deus. O único foco que o templo recebe no Novo Testamento é na carta aos Hebreus, onde o autor usa o templo para mostrar como ele era ineficaz e como Jesus foi o perfeito cumprimento.
A destruição do templo e de Jerusalem em 70 d.C. pelo comandante Tito jamais pode tomar a preeminência quando comparados com a crucificação e ascensão de Jesus!
Nenhuma das cartas do Novo Testamento enfatiza a importância do templo em Jerusalém, pelo contrário, o Novo Testamento deixa bem claro que o templo de Deus é a igreja! Mostrando que, após a morte e ascensão de Jesus, o templo já havia perdido todo propósito. A destruição física foi consequência da destruição espiritual que já havia ocorrido com a morte de Jesus.

ARGUMENTO DO SILÊNCIO:
É importante também notarmos que muitos dos pais apostólicos (segunda e terceira geração de cristãos) não usaram estas passagens para se referir à segunda vinda de Jesus, nem à destruição de Jerusalém em 70 (veja Clemente de Roma 23; 34; Carta de Policarpo 2; Carta de Diogneto 7; Epístola de Barnabé 16 – todas essas passagens falam da vinda de Jesus ou da destruição de Jerusalém, mas nenhuma cita Marcos 13 ou seus paralelos).

JESUS, A CRUZ E A PREOCUPAÇÃO COM OS DISCÍPULOS:

O grande foco do Evangelho é a cruz. A cruz se tornou o fundamento de todas as pregações.
Jesus alertou Seus discípulos várias vezes sobre a Sua morte (Mc 8:31; 9:12, 30-32; 10:32-34, 38) e, como vimos, eles tinham muita dificuldade em entender que o Messias precisava sofrer e morrer. Portanto, não deveríamos ficar espantados se o seu último grande discurso narrado por Marcos fosse Jesus alertando Seus discípulos sobre a iminente aflição e tribulação que estava por vir. Seria muito estranho se, ao invés de alertá-los sobre os Seus sofrimentos e morte, Jesus falasse sobre a destruição de Jerusalém em 70 d.C. ou sobre Sua segunda volta, pois nada no contexto do Evangelho aponta para esse dois assuntos.
A preocupação principal de Jesus é com a preparação e não a destruição de Seus discípulos” (Beale and Carson, Commentary on the New Testament Use of the Old Testament, Baker, pg 223)
Como sempre, Jesus está sendo o bom pastor, pastoreando o coração de Seus discípulos, alertando-os para a realidade que estava para acontecer! Eles não entenderam as coisas que Jesus falou no momento, mas depois todas as palavras de Jesus fizeram sentido!
Jo 12:16 A princípio seus discípulos não entenderam isso (a entrada triunfal). Só depois que Jesus foi glorificado, perceberam que lhe fizeram essas coisas, e que elas estavam escritas a respeito dele.
Não haveria benefício algum profetizar a segunda vinda e demandar que eles ficassem atentos, se ela não ocorreria nos dias deles. Também não seria nada proveitoso para eles ser avisados sobre a destruição de Jerusalém, visto que a maioria deles já estava morta e peregrinando por outros lugares.
Outro detalhe importante é a questão dos períodos da noite:
Marcos 13 encerra com uma parábola chamando os discípulos a vigiarem.

Mc 13:33-37 33 Fiquem atentos! Vigiem! Vocês não sabem quando virá esse tempo. 34 É como um homem que sai de viagem. Ele deixa sua casa, encarrega de tarefas cada um dos seus servos e ordena ao porteiro que vigie. 35 Portanto, vigiem, porque vocês não sabem quando o dono da casa voltará: se à tarde, à meia-noite, ao cantar do galo ou ao amanhecer. 36 Se ele vier de repente, que não os encontre dormindo! 37 O que lhes digo, digo a todos: Vigiem!
O versículo 35 contém as 4 divisões da noite no império romano. No resto do Evangelho de Marcos serão esses 4 tempos que irão guiar a nossa expectativa para essa hora tão terrível e gloriosa declarada por Jesus.
4 VIGIAS DA NOITE ROMANA:
1° 18h ATÉ ÀS 21h – À TARDE 2° 21h ATÉ À MEIA-NOITE – À MEIA-NOITE
3° MEIA-NOITE ATÉ ÀS 3h – CANTAR DO GALO 4°3h ATÉ ÀS 6h -- AMANHECER
1 – À TARDE?
Mc 14:16-18 E, saindo os seus discípulos, foram à cidade, e acharam como lhes tinha dito, e prepararam a páscoa. 17 E, chegada a tarde, foi com os doze. 18 E, quando estavam assentados a comer, disse Jesus: Em verdade vos digo que um de vós, que comigo come, há de trair-me.
A primeira menção é a tarde, mas dessa vez ainda não ocorreu! Eles celebraram a ceia! A expectativa permanece.
2 – À MEIA-NOITE?
Mc 14:29-30 Pedro declarou: "Ainda que todos te abandonem, eu não te abandonarei! " 30 Respondeu Jesus: "Asseguro-lhe que ainda hoje, esta noite, antes que duas vezes cante o galo, três vezes você me negará". 31Mas Pedro insistia ainda mais: "Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei". E todos os outros disseram o mesmo. 32 Então foram para um lugar chamado Getsêmani, e Jesus disse aos seus discípulos: "Sentem-se aqui enquanto vou orar".
Apesar de Marcos não falar o horário exato, nós podemos concluir que já estamos na segunda vigia (à meia-noite). É aqui que a ‘hora’ da angústia começa a ficar mais intensa (14:33-346). Os discípulos que deveriam vigiar (13:33-37) são encontrados dormindo. A hora, que antes era desconhecida e necessitava de vigília, chega! 14:41 "Vocês ainda dormem e descansam? Basta! Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.”
A hora da incomparável aflição chegou, por isso, todos fugiram (14:50 – comp. 13:14).
14:62 Mas Jesus permaneceu em silêncio e nada respondeu. Outra vez o sumo sacerdote lhe perguntou: "Você é o Cristo, o Filho do Deus Bendito?" 62"Sou", disse Jesus. "E vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso vindo com as nuvens do céu".
Jesus promete novamente o que Ele havia prometido aos discípulos em 13:26.
3 – AO CANTAR DO GALO?
Do outro lado do julgamento, a tribulação é tanta que até Pedro, o mais valente dos discípulos, abandona o seu Senhor como Jesus havia dito. E isso ocorre no ‘cantar do galo’ (14:66-72).
Essa é a terceira referência ao tempo e, apesar da grande tribulação ter começado, ainda não temos a chegada do Filho do Homem.
4 – AO AMANHECER?
Só nos resta um período da noite – o amanhecer!
E esse período aparece duas vezes.
15:1 De manhã bem cedo, os chefes dos sacerdotes com os líderes religiosos, os mestres da lei e todo o Sinédrio chegaram a uma decisão. Amarrando Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos.
Quando o Sinédrio entrega o Filho de Deus nas mãos dos gentios!
Pilatos entrega Jesus para ser crucificado. A hora que Jesus havia orado para que passasse chega! A hora é enfatizada: vs.25, 33, 34.
O sacrilégio terrível ocorreu. Jesus foi para a cruz e eles ainda zombam dEle (15:31-32).
A hora de tribulação é tão intensa que Jesus grita, "Eloí, Eloí, lamá sabactâni?" que significa: "Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?"(15:34).
16:1-2 E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol.
E é aqui que é relatado que Ele venceu a morte.
Assim como Ele havia falado que precisava sofrer e morrer para depois ressuscitar (8:31; 9:9-13, 31; 10:33-34), Jesus também havia falado que haveria um tempo de imensa tribulação seguida pela chegada do Filho do Homem.
Assim, o Evangelho termina com o Senhor reunindo seus discípulos para enviá-los para reunir todos os escolhidos!
CONCLUSÃO:
Quando lemos e estudamos o capítulo 13 de Marcos no seu contexto e com uma exegese saudável, fica claro que o foco principal do ensino de Jesus está na crucificação e na ascensão dEle. Seria totalmente incoerente interpretarmos esse discurso como relatando os sinais da segunda vinda de Jesus – contextualmente e exegeticamente. Jesus prometeu que todas as aquelas coisas seriam vistas pelos discípulos e a ‘vinda do Filho do Homem’ se refere à chegada de Jesus ao trono celestial e não a Sua vinda de volta à terra.
Seria um absurdo teológico interpretarmos os sofrimentos da nação judaica em 70 d.C. como os piores tempos da humanidade e como um tempo de mais angústia e aflição do que o processo da crucificação de Jesus.
A cruz fala dos nossos pecados, da nossa incapacidade de conseguir a salvação, do amor e do sofrimento inigualável de Jesus.
A ascensão fala da vitória de Jesus, Ele conquistou a morte e ascendeu aos céus e hoje Ele está à direita do Ancião dos Dias – reinando e governando!
Quando estudamos esse texto em seu contexto vemos que a interpretação mais coerente é de que Jesus estava falando de sua morte, ressurreição, ascensão e de toda a tribulação que envolveria esses acontecimentos.
Marcos 13 é uma preparação apocalíptica para a paixão, assim, esse capítulo é muito importante na nossa busca do significado da cruz na história de Marcos.” (Peter Bolt, The Cross from a Distance – Atonement in Mark´s Gospel, IVP, pg 90)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Quem é Esse que Pastoreia com Compaixão?

Conhecendo Jesus / Carregando a Cruz

Série de Estudos no Evangelho de Marcos

Marcos 6:30-44 - (Mt 14.13-21; Lc 9.10-17; Jo 6.1-15) 30 Os apóstolos reuniram-se a Jesus e lhe relataram tudo o que tinham feito e ensinado. 31 Havia muita gente indo e vindo, ao ponto de eles não terem tempo para comer. Jesus lhes disse: “Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco”. 32 Então eles se afastaram num barco para um lugar deserto. 33 Mas muitos dos que os viram retirar-se, tendo-os reconhecido, correram a pé de todas as cidades e chegaram lá antes deles.34 Quando Jesus saiu do barco e viu uma grande multidão, teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar-lhes muitas coisas. 35 Já era tarde e, por isso, os seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Este é um lugar deserto, e já é tarde. 36 Manda embora o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar algo para comer”. 37 Ele, porém, respondeu: “Dêem-lhes vocês algo para comer”. Eles lhe disseram: “Isto exigiria duzentos denários! Devemos gastar tanto dinheiro em pão e dar-lhes de comer?” 38 Perguntou ele: “Quantos pães vocês têm?Verifiquem”. Quando ficaram sabendo, disseram: “Cinco pães e dois peixes”. 39 Então Jesus ordenou que fizessem todo o povo assentar-se em grupos na grama verde. 40 Assim, eles se assentaram em grupos de cem e de cinqüenta. 41 Tomando os cinco pães e os dois peixes e, olhando para o céu, deu graças e partiu os pães. Em seguida, entregou-os aos seus discípulos para que os servissem ao povo. E também dividiu os dois peixes entre todos eles. 42 Todos comeram e ficaram satisfeitos, 43 e os discípulos recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe. 44 Os que comeram foram cinco mil homens.

Introdução e Contextualização:

· Essa é uma história bastante conhecida. A maioria das pessoas já ouviu falar do “milagre da multiplicação”, mas poucas pessoas entendem o profundo significado que ela tem na revelação da glória de Deus através da compaixão, soberania e providência de Jesus!

· Precisamos conhecer nosso Senhor e Salvador, precisamos ter entendimento e contato com as ações de Jesus, por isso temos estudado por quase um ano o evangelho de Marcos.

Deus nos deu 4 Evangelhos, livros, antes de entrarmos nas outras cartas do Novo Testamento. Se nós não conhecemos o nosso Salvador fica impossível de entender o resto.

O meu prazer é expor para vocês a vida de Jesus nos seus mínimos detalhes, pois só assim podemos ser transformados (santificados) e outras pessoas sejam convertidas.

II Cor. 4:5-6 -Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.

II Cor. 3:18 -Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.

· Nessa história fantástica vemos a glória de Deus – o Yahweh Jireh = o Deus que providência, na face de Jesus! Ele providência descanso, a Verdade e alimento!

· Somente dois milagres são relatados nos 4 Evangelhos: esse da multiplicação dos 5 pães e 2 peixes; e a ressurreição de Jesus! Então vemos que realmente esse milagre é de extrema importância!

· Muitos usaram e usam de alegoria para interpretar essa passagem. Esse não é o meu objetivo. Vamos ver qual foi o objetivo de Jesus em alimentar essa multidão e qual o propósito de Marcos!

Contextualização:

· Essa história continua dois temas já estabelecidos por Marcos:

1 – Continua a narrativa na qual Jesus enviou seus discípulos para pregarem e ministrarem com a Sua autoridade (6:7-13). Agora eles voltam para relatar o que aconteceu (v.30).

2 – Continua a desvendar a pergunta feita pelos discípulos no barco – “quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (4:41).

· O ministério de Jesus na região da Galiléia está chegando a seu fim, esse é o ultimo grande milagre feito para o público naquela região antes de Jesus partir. A partir daí Jesus focará mais nos 12 e a multidão diminuirá.

· Esse acontecimento é muito importante, pois mais do que o show da multiplicação dos pães e peixes Jesus quer ensinar uma lição para seus discípulos. Uma lição que veremos em 6:52 eles não entenderam, e começando com essa história os discípulos são mostrados de forma “negativa”, no sentido de que eles fracassaram muitas vezes em compreender quem era realmente Jesus.

· A história anterior nos mostra que muitos ainda têm dúvidas de quem é esse Jesus. Seria Ele apenas um profeta como João Batista e Elias? Seria Ele apenas um operador de milagres? Ou seria Jesus um novo líder revolucionário como essa multidão pensa ser?

Jesus se revela ser muito mais que apenas um grande profeta. Ele se mostra ser o “Bom Pastor” de Salmo 23, aquele que tem compaixão pelas vidas e nutri o rebanho de Israel. Ele revela ser o Deus todo poderoso que tem autoridade sobre as leis da física e do natural. Ele se mostra ser o novo Josué que lidera um povo no deserto sem líder. Ele se revela como o deus todo poderoso que providenciou o maná no deserto!

· Enquanto Herodes tem seu banquete num palácio com os grandes da Galiléia, Jesus está num lugar solitário com uma multidão de pessoas sem importância comendo uma comida simples.

Divisão do Estudo:

I – JESUS TEM COMPAIXÃO PARA COM SEUS DISCÍPULOS (vs.30-32)

ELE PROVÊ DESCANSO

II – JESUS TEM COMPAIXÃO PARA COM A MULTIDÃO (vs.33-44)

ELE PROVÊ A VERDADE E ALIMENTO

I – JESUS TEM COMPAIXÃO PARA COM SEUS DISCÍPULOS (vs.30-32)

30 Os apóstolos reuniram-se a Jesus e lhe relataram tudo o que tinham feito e ensinado. 31 Havia muita gente indo e vindo, ao ponto de eles não terem tempo para comer. Jesus lhes disse: “Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco”. 32 Então eles se afastaram num barco para um lugar deserto.

Em 6:7-13 temos o relato de que Jesus, após ser desprezado em sua cidade, enviou seus 12 discípulos para pregarem e ministrarem através de sua autoridade, cumprindo assim o chamado feito em 3:14-15. Ao pregarem por algumas semanas (ou meses) o nome de Jesus se espalhou ao ponto de cair nos ouvidos do tetrarca Herodes (6:14-16).

Agora Marcos relata a volta dos discípulos após a primeira curta missão deles sem a presença física de Jesus. Eles voltam ansiosos para contar tudo o que eles tinham feito.

Jesus vê que eles trabalharam bastante e decide sair para um “retiro” com esses homens.

Jesus tem compaixão dos seus discípulos e provê descanso!

V.31 “Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco”– duas palavras importantes:

Lugar Deserto (ἔρημον(s) τόπον(s))= lugar solitário ou inabitado, não necessariamente deserto, visto que havia grama (v.39) e aldeias ao redor (v.36).

Frequentemente Jesus tirava seus discípulos do meio da multidão (4:34; 9:2,28; 13:3) para descanso e instruções particulares.

Descansem (ναπαύω)= descasar, cessar trabalho para ganhar força. Era uma palavra militar usada para os soldados descansarem.

Jesus vê que seus homens precisam sair do meio de todos e descansarem de tudo, literalmente cessarem todo trabalho.

Nesses versículos temos a compaixão de Jesus para com seus discípulos. Alguém que se importa com o que eles estavam passando.

Jesus sabia do cansaço, ele havia estado exausto – em Marcos 4:38 Jesus dormiu na popa do barco durante a tempestade – então Ele chama os seus homens para descansarem.

Ministrar é cansativo, pregar a Palavra de Deus é uma grande responsabilidade que exausta o físico e o espírito.

Jesus revela a esses homens que Ele se importa muito com o bem-estar dos seus seguidores.

Ele leva esses homens para junto dele para que eles possam contar tudo e descansarem!

Ao saírem com Jesus para um lugar solitário e contarem as coisas para Ele eles achariam descanso!

Mat.11:28 - Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.

** Mas dentro desse retiro Jesus ainda lhes ensinaria uma lição!

II – JESUS TEM COMPAIXÃO PARA COM A MULTIDÃO (vs.33-44)

33 Mas muitos dos que os viram retirar-se, tendo-os reconhecido, correram a pé de todas as cidades e chegaram lá antes deles.

(o pessoal foi correndo literalmente alguns bons quilômetros) - 34 Quando Jesus saiu do barco e viu uma grande multidão, teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar-lhes muitas coisas. 35 Já era tarde e, por isso, os seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Este é um lugar deserto, e já é tarde. 36 Manda embora o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar algo para comer”. 37 Ele, porém, respondeu: “Dêem-lhes vocês algo para comer”. Eles lhe disseram: “Isto exigiria duzentos denários! Devemos gastar tanto dinheiro em pão e dar-lhes de comer?” 38 Perguntou ele: “Quantos pães vocês têm?Verifiquem”. Quando ficaram sabendo, disseram: “Cinco pães e dois peixes”. 39 Então Jesus ordenou que fizessem todo o povo assentar-se em grupos na grama verde. 40 Assim, eles se assentaram em grupos de cem e de cinqüenta. 41 Tomando os cinco pães e os dois peixes e, olhando para o céu, deu graças e partiu os pães. Em seguida, entregou-os aos seus discípulos para que os servissem ao povo. E também dividiu os dois peixes entre todos eles. 42 Todos comeram e ficaram satisfeitos, 43 e os discípulos recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe. 44 Os que comeram foram cinco mil homens.

Marcos não relata muitos detalhes nesta história, pois o foco dele é outro. Quando colocamos os relatos de Marcos e João em paralelos vemos que todas essas pessoas correram atrás de Jesus, pois eles tinham visto os milagres (João 6:1-2 -Algum tempo depois, Jesus partiu para a outra margem do mar da Galiléia (ou seja, do mar de Tiberíades) 2 e grande multidão continuava a segui-lo, porque vira os sinais miraculosos que ele tinha realizado nos doentes.) e viram em Jesus o poder e o carisma de um líder.

Talvez estivessem instigados em levantar Jesus como um novo líder revolucionário.

É Jesus Um Líder Revolucionário Militar como eles queriam e esperavam?

Pela quantidade de gente essas pessoas já estavam na expectativa de ver Jesus e seus discípulos, não parece ter sido algo do momento. O que parece é que esses 5 mil homens estavam na expectativa de receberem esses homens como um exército revolucionário!

Jesus passou a ser conhecido por muitas pessoas, até mesmo Herodes ouviu sobre Jesus. O carisma, o cuidado e a autoridade de Jesus e seus discípulos instigaram alguns homens de Israel a ver Jesus como um revolucionário.

Tudo leva a crer que era uma tentativa político-militar de levantar Jesus:

*A linguagem de Jesus reflete uma linguagem militar.I Reis 22:17 - Então Micaías respondeu: "Vi todo o Israel espalhado pelas colinas, como ovelhas sem pastor (nesse contexto é o exército de Israel sem um líder), e o Senhor dizer: ‘Estes não têm dono. Cada um volte para casa em paz’ ".

*As fileiras de 50 e 100 homens refletem a organização militar do exército romano.

*O deserto era um lugar onde começavam as grandes revoltas (Qumran, Teudas (At.5:36) e vários outros).

*Veja o relato de João sobre o mesmo incidente: “Depois de ver o sinal miraculoso que Jesus tinha realizado, o povo começou a dizer: "Sem dúvida este é o Profeta que devia vir ao mundo". Sabendo Jesus que pretendiam proclamá-lo rei à força, retirou-se novamente sozinho para o monte.” (6:14-15).

· Tudo dá a entender que esses homens querem um novo “rei”, um novo líder. Mas Marcos nada nos informa a respeito do que os 5 mil homens estavam pensando.

Jesus usa esse contexto todo, toda essa expectativa do povo para revelar uma outra coisa:

COMPAIXÃO, ENSINO e SUA DIVINDADE ao invés de organização militar!

**Ao invés de providenciar uma revolta armada tirando do poder Herodes, Pilatos e Cesar – Jesus prove 2 outras coisas: Alimento para a Alma e Alimento para o Corpo!

V.34 - - o versículo-chave dessa passagem. “Quando Jesus saiu do barco e viu uma grande multidão, teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar-lhes muitas coisas.”

Imagine a Cena: Jesus havia saído com seus discípulos para um “retiro” espiritual com o objetivo de ir para um lugar solitário para ter um tempo mais profundo com seus homens. Quando Jesus sai do barco Ele vê aquele grande alvoroço, aquela barulheira de mais de 10 mil pessoas querendo tocar-lhe e falar com Ele - muitos líderes evangélicos, hoje em dia, teriam ficado irritados e se locomoveriam para outro lugar - mas o Senhor Jesus olha para aqueles milhares de pessoas, pessoas sem entendimento algum de quem Ele era e qual era Sua missão e Ele tem compaixão (σπλαγχνίζομαι – ser comovido internamente, literalmente ter o estômago movido, pois achavam diziam que o estômago era o centro das emoções)!

O coração dEle se quebra ao ver todas aquelas pessoas perdidas!Pessoas sem proteção e cuidado espiritual algum!

· “Como Ovelhas sem Pastor” --- Isso representa um povo vulnerável, incapaz de chegar a lugar algum. Um povo que necessita urgentemente de cuidado para que não sejam devorados pelos predadores. Ovelha sem pastor e termo conhecido no Antigo Testamento e para uma sociedade agricola era facil de se entender.

· A metafora de “pastor” é usada para Deus (Sl.23; 80:1; Jer.13:17) e para homens (II Sam.5:2; Jer.10:21;23:1) no Antigo Testamento.

“porque eram como ovelhas sem pastor - Essa frase tem uma associação muito grande com Números 27, onde o texto trata de um sucessor para Moisés. Após Moises ser lembrado por Deus que ele não entraria na Terra Prometida (vs.12-14), ele pede ao Senhor por um sucessor, pois ele via Israel como um rebanho sem um pastor.

Josué seria aquele em quem o Espírito de Deus capacitaria para essa nova tarefa.

Num.27:15-18 - Moisés disse ao Senhor:"Que o Senhor, o Deus que a todos dá vida, designe um homem como líder desta comunidade para conduzi-los em suas batalhas, para que a comunidade do Senhor não seja como ovelhas sem pastor".Então o Senhor disse a Moisés: "Chame Josué, filho de Num, homem em quem está o Espírito, e imponha as mãos sobre ele.

Visto que Marcos tem toda uma ênfase no Novo Êxodo proclamado por Isaias não é de se estranhar essa metáfora. No contexto de Marcos essa metáfora é aplicada principalmente com relação ao Êxodo liderado por Yahweh – Salmo 78:51-55, 70-72 – E feriu a todo primogênito no Egito, primícias da sua força nas tendas de Cão. Mas fez com que o seu povo saísse como ovelhas, e os guiou pelo deserto como um rebanho. E os guiou com segurança, que não temeram; mas o mar cobriu os seus inimigos. E os trouxe até ao termo do seu santuário, até este monte que a sua destra adquiriu. E expulsou os gentios de diante deles, e lhes dividiu uma herança por linha, e fez habitar em suas tendas as tribos de Israel....70-72 Também elegeu a Davi seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas; E o tirou do cuidado das que se acharam prenhes; para apascentar a Jacó, seu povo, e a Israel, sua herança. Assim os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou pela perícia de suas mãos.

Salmo 77:20 relata o pastoreio de Moisés e Arão– v.14 Tu és o Deus que fazes maravilhas; tu fizeste notória a tua força entre os povos.v.20 Guiaste o teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moisés e de Arão..

Isaias usa essa imagem do pastoreio como chave para o tema do novo Êxodo!

Isaias 40 relata a libertação do povo do cativeiro babilônico, mas muito além do cativeiro babilônico ele fala do verdadeiro Êxodo – da libertação do povo de Deus cativeiro da morte e do pecado que era simbolizado por Babilônia.

Em Isaias 40, o profeta descreve Deus como um Poderoso Guerreiro e Carinhoso Pastor:

40:1-11! Ver versículos 10 e 11 - Eis que o Senhor DEUS virá com poder e seu braço dominará por ele; eis que o seu galardão está com ele, e o seu salário diante da sua face. Como pastor apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam guiará suavemente.

Isaias fala do rei persa Ciro como um pastor que levaria o povo de Deus de volta a sua terra 44:28 - Que digo de Ciro: É meu pastor, e cumprirá tudo o que me apraz, dizendo também a Jerusalém: Tu serás edificada; e ao templo: Tu serás fundado.- Ciro nada mais foi que sombra do que Jesus iria fazer de forma espiritual e real.

Para Isaias o Messias, o Servo Sofredor seria ao mesmo tempo o Guerreiro Yahweh e o Cuidadoso Pastor de Israel.

Após a grande liderança de Moisés o povo de Israel ficou na expectativa de um rei. O rei que Israel mais adorou foi um pastor de ovelhas chamado Davi Salmo 78:70-72 - Escolheu o seu servo Davi e o tirou do aprisco das ovelhas, do pastoreio de ovelhas para ser o pastor de Jacó, seu povo, de Israel, sua herança. E de coração íntegro Davi os pastoreou, com mãos experientes os conduziu.! E foi da linhagem de Davi que se esperavam o messias, um rei-pastor como Davi!

Agora veja Ezequiel 34, onde o profeta relata o sofrimento do povo sob o governo opressivo de Israel, líderes sem compaixão nenhuma pelas vidas, o oposto de Davi.

Ezequiel 34:1-25 – ver em especial versículos 6, 8 e 11-16!

Nessa passagem assim como em Isaias 40:11, o Senhor irá ele mesmo resgatar as suas ovelhas e leva-las aos pastos verdes. E colocará sobre elas um rei-pastor como Davi (vs.23-24).

“O entendimento de Israel de Yahweh como um Pastor carinhoso e poderoso vem do primeiro Êxodo, quando o Senhor os guiou, os cuidou e os alimentou através da liderança de Moisés. Da mesma forma no novo Êxodo profetizado por Isaias o Senhor que é Guerreiro e Pastor Carinhoso irá guiar seu povo através de um novo líder. Apesar de Josué ser o sucessor de Moisés em Números 27 é Davi quem realmente se torna o rei-pastor de Israel – e é da linhagem desse grande rei que há a esperança do Messias!” (Commentary on the New Testament Use of the Old Testament – G.K. Beale and Carson, Baker).

No contexto de Marcos ao vermos toda a hostilidade e falta de compaixão dos líderes religiosos de Israel para com Jesus e a violencia de Herodes ao assassinar João Batista, o profeta de Deus – Israel é realmente como ovelha sem pastor!

Jesus se revela como o tão esperado bom pastor! * O povo no deserto (como estava Israel); * Jesus ensina sobre o Reino de Deus (como Moisés passou o Tora); * A organização da multidão em formação de 50 e 100 (como Israel em Ex. 18:21); * A providencia de alimento no deserto (como Israel foi alimentado no deserto).

E assim como em Números 27 houve um Josué, homem cheio do Espírito, aqui há um novo comandante militar Jesus (grego para Josué), homem cheio do Espírito (Mc.1:10) que lidera o Israel de Deus numa nova conquista - destruindo legiões (5:9,15).

Jesus o rejeitado “pastor” (6:1-6), cheio de compaixão (6:34) e poder (6:7) é quem expõe os pecados e a incapacidades dos líderes de Israel e fielmente lidera suas ovelhas para o pasto verde!

Interessante que assim como no Salmo 78, o salmista liga o cuidado de Deus para com Israel ao demonstrar o poder de Deus sobre o mar e na provisão de alimento (78:12-20) com o estabelecimento de Davi como pastor-rei (78:70-72), Marcos também apresenta Jesus como o pastor-rei num contexto de provisão de alimentos e autoridade sobre o mar!

Por mais semelhante que Jesus seja com Moisés, Josué e Davi toda semelhança murcha diante da autoridade e poder desse novo Rei. Ao acalmar a tempestade, libertar os endemoninhados, ressuscitar os mortos Jesus revela ser o Guerreiro e Pastor Deus encarnado!

O Deus todo poderoso e cheio de compaixão foi em pessoa, encarnado, resgatar Suas ovelhas!

Ao falar que essas pessoas eram como ovelhas sem pastor, Jesus declara toda a incapacidade e ignorância dos líderes de Israel. Líderes que não se importavam com o povo. Herodes foi um exemplo claro em 6:14-29 e os lideres religiosos serao acusados!

· “Teve Compaixão Deles e Começou a Ensinar!” --- A compaixão de Jesus não o leva a apenas fazer muitas curas, providenciar dinheiro, restaurar lares, mas a ensinar a Palavra do Pai!

A compaixão de Jesus não faz com que Ele levante homens e guerreie contra Roma, como muitos assim fizeram e queriam que Ele fizesse.

O Bom Pastor começa a cuidar dessas ovelhas – nutrindo, curando e guiando elas através da Palavra de Deus!

Jesus Provê a Verdade! Yahweh Jireh – o senhor proverá – Provê a Verdade!

Veja a conversa de Jesus e Pedro em João: “Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: "Simão, filho de João, você me ama realmente mais do que estes? " Disse ele: "Sim, Senhor, tu sabes que te amo". Disse Jesus: "Cuide dos meus cordeiros". Novamente Jesus disse: "Simão, filho de João, você realmente me ama? " Ele respondeu: "Sim, Senhor tu sabes que te amo". Disse Jesus: "Pastoreie as minhas ovelhas". Pela terceira vez, ele lhe disse: "Simão, filho de João, você me ama? " Pedro ficou magoado por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez "Você me ama? " e lhe disse: "Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo". Disse-lhe Jesus: "Cuide das minhas ovelhas.” (João 21:15-17).

O sinal de um pastor que ama Jesus e ama as ovelhas é cuidado na alimentação delas! A pregação, o ensino e a vida de estudo de um pastor dizem MUTO sobre o amor dele para com Jesus e para com o rebanho de Deus.

É a Escritura, a Palavra de Deus que cura, santifica, guarda e converte!

Salmo 119:9 – Como pode o jovem manter pura a sua conduta? Vivendo de acordo com a tua palavra.

119:11 – Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti.

119:28 – A minha alma se consome de tristeza; fortalece-me conforme a tua palavra.

119:76 – Seja o teu amor o meu consolo, conforme a tua palavra ao teu servo.

119:105 – A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho.

Rom.10:17 – Conseqüentemente, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo.

Jo.17:17 - Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.

A Preocupação dos Discípulos:

35 Já era tarde e, por isso, os seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Este é um lugar deserto, e já é tarde. 36 Manda embora o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar algo para comer”.

“Já era Tarde” -- - isso quer dizer que já era final da tarde – por volta das 17h, hora do jantar.

Os discípulos ficam preocupados com todas aquelas pessoas e eles tentam lembrar Jesus que era hora de parar de ensinar e enviar as pessoas embora!

Consigo imaginar Pedro chegando pertinho de Jesus e dizendo,“Oh Jesus, você está pregando já faz maior tempo, o pessoal está ficando com fome, está na hora da janta – talvez tenha esquecido que a gente está num lugar meio distante de tudo, não tem nenhuma padaria aqui. Acho melhor você mandar essa gente embora!”

Apesar de Jesus sempre ser o líder, vemos que várias vezes os discípulos sentem a necessidade de informar Jesus de algo (1:36-37; 4:38; 10:13). Com certeza Jesus tinha um grande senso de humor!

O Teste de Jesus para os Discípulos:

* Como falei no começo Jesus chamou seus discípulos para um retiro espiritual, para que pudessem descansar, mas também para aprender uma nova lição!

A lição do Milagre da Multiplicação!!!!

37 Ele, porém, respondeu: “Dêem-lhes vocês algo para comer”.

“Poxa, quando vocês foram, as pessoas não providenciaram alimento para vocês? Agora é a vez de vocês! Vocês não fizeram um monte de milagre? Faz mais um!”

Jesus coloca sobre esses homens a responsabilidade de providenciar alimento para todas essas pessoas.

Eles não gostam da resposta de Jesus! Eles lhe disseram: “Isto exigiria duzentos denários (denário era o salário de um dia de trabalho – isso mostra que seria mais de 200 dias de trabalho, mais de ½ ano de trabalho para providenciar para um bando de estranhos)! Devemos gastar tanto dinheiro em pão e dar-lhes de comer?”

A história lembra o ocorrido com Eliseu em II Reis 4:38-44 - Depois Eliseu voltou a Gilgal. Nesse tempo a fome assolava a região. Veio um homem de Baal-Salisa, trazendo ao homem de Deus vinte pães de cevada, feitos dos primeiros grãos da colheita, e também algumas espigas verdes. Então Eliseu ordenou ao seu servo: "Sirva a todos". O auxiliar de Eliseu perguntou: "Como poderei servir isso a cem homens? " Eliseu, porém, respondeu: "Sirva a todos, pois assim diz o Senhor: ‘Eles comerão, e ainda sobrará’ Então ele serviu a todos, e conforme a palavra do Senhor, eles comeram e ainda sobrou. "..

E também a história de Moisés em Números 11:22-24 - Disse, porém, Moisés: "Aqui estou eu no meio de seiscentos mil homens de pé, e dizes: ‘Darei a eles carne para comerem durante um mês inteiro!’ Será que haveria o suficiente para eles se todos os rebanhos fossem abatidos? Será que haveria o suficiente para eles se todos os peixes do mar fossem apanhados?" O Senhor respondeu a Moisés: "Estará limitado o poder do Senhor? Agora você verá se a minha palavra se cumprirá ou não"..

Pães e Peixes:

Jesus pergunta quantos pães eles tinham. Havia um total de 5 pães e dois peixes! Os números não são para ser alegorizados (5 pães = 5 livros da Lei; 12 cestos = 12 tribos de Israel etc.), mas mostra a historicidade do fato!

João 6, nos diz que André achou um garoto com 5 pães e 2 peixes

O interessante é que esses dois alimentos são referidos no tempo em que Israel esteve no deserto:

Num.11:5-6 - Nós nos lembramos dos peixes que comíamos de graça no Egito, e também dos pepinos, das melancias, dos alhos porós, das cebolas e dos alhos. Mas agora perdemos o apetite; nunca vemos nada, a não ser este maná!.

Ex.3:4-5 - Disseram-lhes os israelitas: "Quem dera a mão do Senhor nos tivesse matado no Egito! Lá nos sentávamos ao redor das panelas de carne e comíamos pão à vontade, mas vocês nos trouxeram a este deserto para fazer morrer de fome toda esta multidão!" Disse, porém, o Senhor a Moisés: "Eu lhes farei chover pão do céu.

Jesus usa o pão e o peixe para alimentar essas pessoas e mostrar compaixão para com eles!

Vs.39-40 - 39 Então Jesus ordenou que fizessem todo o povo assentar-se em grupos na grama verde (um milagre - mais de 15 mil pessoas, como num estádio, todos obedecem em ordem). 40 Assim, eles se assentaram em grupos de cem e de cinqüenta (ficava fácil de organizar).

Na Grama Verde” - - - mostra talvez a época do ano, por volta da primavera.

E caracteriza Jesus como o Bom Pastor do Salmo 23 (O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta. Em verdes pastagens me faz repousar).

***A linguagem militar de “ordenou” (v.39) e “grupos de 100 e 50” (v.40) juntamente com a linguagem de festa “grupos” (συμπόσιον - grupos que comem e bebem em festas) – nos leva a ter uma visão de um grande grupo de pessoas com ordem, mas muita alegria e festa!

Esse ar de ordem e festividade aponta para o grande Banquete do Messias quando Jesus voltar!

Vs.41- Tomando os cinco pães e os dois peixes e, olhando para o céu, deu graças e partiu os pães. Em seguida, entregou-os aos seus discípulos para que os servissem ao povo. E também dividiu os dois peixes entre todos eles.

Apesar desses 4 verbos aparecerem na Ultima Ceia (tomar o pão, quebrar, partir e agradecer) eles eram normalmente usados pelos cabeças das famílias antes da refeição!

A tradição judaica tinha uma grande ênfase na oração antes e depois do comer!

Até agora só fomos informados dos 5 pães e 2 peixes, nada mais! E é sobre esses 7 elementos que Jesus ora.

Vs. 42-43 - Todos comeram e ficaram satisfeitos, 43 e os discípulos recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe.

Jesus Provê o Alimento!

O milagre da multiplicação! Aquele que criou todas as coisas do nada tem o poder para criar alimento do nada! (Heb.11:3 - Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é visível.).

Muitos estudiosos tentam explicar esse milagre como sendo o “milagre da repartição”, eles dizem que Jesus não multiplicou o alimento do nada, mas que as pessoas foram tocadas pelo ensino e começaram a dividir tudo o que tinha.

O que fica claro é que Jesus tinha autoridade e o poder para fazer esse milagre! Ele partia os pães e eles eram multiplicados sobrenaturalmente!

A ênfase é dada: eles não só comeram, mas também ficaram satisfeitos (no grego – ficaram cheios, engorda de animais)!

O Bom Pastor supriu toda necessidade.

Assim como Deus providenciou o maná no deserto, agora Jesus providência pão no deserto!

Jesus se revela como alguém superior a Moises e Eliseu! Ele prova ser o Messias, visto que no judaísmo havia a expectativa de que o Messias daria o maná na era escatológica (Apoc.2:17).

Sobram 12 cestos --- esses cestos era um cesto normal de viagem para levar comida.

V.44 - Os que comeram foram cinco mil homens. --- a população da região toda de Cafarnaum era de +- 10 mil pessoas. O número de pessoas é completamente adequado, já que versículo 33 nos diz que pessoas de todas as regiões vieram vê-los. Um total de mais de 15 mil pessoas comeram!

*** Essa multidão toda continua não crendo que Jesus era o Deus vivo. Por um momento eles acreditam que Jesus é o profeta verdadeiro (Jo. 6:14), mas logo que o tempo e a emoção do momento passam e a noite vem, já no outro dia eles esquecem e começam a procurar Jesus para receberem mais pães! Eles gostaram dessa idéia de receber pão de graça, e agora querem o café da manhã. Jesus usa essa oportunidade para pregar a verdade sobre o que é comer o pão verdadeiro, isto é participar dos sofrimentos dEle.

O povo não gosta e se escandaliza! Muitos dos discípulos o abandonam (6:60). Em 6:67 ele pergunta se os outros discípulos querem partir também, veja a resposta de Pedro (6:68-69).

Por isso a região de Betsaida é condenada por Jesus – Lucas 10:13-14 - "Ai de você, Corazim! Ai de você, Betsaida! Porque se os milagres que foram realizados entre vocês o fossem em Tiro e Sidom, há muito tempo elas se teriam arrependido, vestindo roupas de saco e cobrindo-se de cinzas. Mas no juízo haverá menor rigor para Tiro e Sidom do que para vocês..

Conclusão:Quem é Esse que Pastoreia com Compaixão?

Esse é Jesus o único capaz de prover o descanso verdadeiro! Jesus se importa com a nossa situação e nos chama a descansar nEle! Mat.11:28 - Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.

2) Esse é Jesus o Bom Pastor – que tem compaixão das Suas ovelhas e as alimenta, as cuida e as guia com a Palavra de Deus.

3) Esse é Jesus que provê para as nossas necessidades!

4) Esse é Jesus o Deus encarnado capaz de fazer milagres!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

JESUS – O DESPREZADO!

Conhecendo Jesus e Carregando a Cruz

Série de Estudos no Evangelho de Marcos

Marcos 6:1-6 - 1 Jesus saiu dali e foi para a sua cidade, acompanhado dos seus discípulos. 2 Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e muitos dos que o ouviam ficavam admirados. “De onde lhe vêm estas coisas?”, perguntavam eles. “Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E estes milagres que ele faz? 3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? Não estão aqui conosco as suas irmãs?” E ficavam escandalizados por causa dele. 4 Jesus lhes disse: “Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra”. 5 E não pôde fazer ali nenhum milagre, exceto impor as mãos sobre alguns doentes e curá-los.6 E ficou admirado com a incredulidade deles.

Introdução:

Com as histórias passadas, Jesus demonstrando toda sua autoridade sobre as forças da natureza, sobre os demônios, doença e até mesmo a morte, tudo parece indicar que o sucesso de Jesus é algo automático, não tendo como ser evitado! Mas será mesmo? Será que esse homem que cura, liberta e ressuscita pode ser rejeitado por alguém?

Marcos relata uma história que é o oposto da ultima narrada. Em 5:21-43, vimos Jairo e a mulher que sofria de hemorragia sendo resgatados e exaltados pela fé em Jesus. Agora veremos que a cidade onde Jesus cresceu não o aceitou como Salvador, e a falta de fé desse povoado trouxe admiração a Jesus!

Essa história é bem contrastada com as duas anteriores:

5:21-43

6:1-6

FOI PROCURADO

FOI REJEITADO

FÉ É O FOCO

FALTA DE FÉ É O FOCO

GRANDES MILAGRES

POUCOS MILAGRES

ADORADO

DESPREZADO

A Bíblia relata duas vezes em que Jesus tem uma reação de espanto e admiração:

1) Com a fé do centurião (Lc.7:9 - Ao ouvir isso, Jesus admirou-se dele e, voltando-se para a multidão que o seguia, disse: “Eu lhes digo que nem em Israel encontrei tamanha fé”.).

2) Com a falta de fé (incredulidade) de Nazaré.

Essa história nos mostra o poder da incredulidade, assim como vimos o poder da fé nas histórias anteriores, nessa veremos a conseqüência da falta de fé!

Gostamos muito de falar da fé, dos heróis da fé, do poder de mover montanhas, mas qual é o resultado da incredulidade?

Logo no “comecinho” da Bíblia vemos o devastador efeito da incredulidade na vida de Adão e Eva, ao não crerem na Palavra de Deus o resultado foi de conseqüências eternas!

As pessoas ao não crerem na mensagem de Noé foram todos mortos!

E muitas outras histórias nos relatam a extrema força que existe na incredulidade!

João 3:16-18 - “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. 17 Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. 18 Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus.

Apocalipse 21:8 - Disse-me ainda: “Está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tiver sede, darei de beber gratuitamente da fonte da água da vida. 7 O vencedor herdará tudo isto, e eu serei seu Deus e ele será meu filho.8 Mas os covardes, os incrédulos, os depravados, os assassinos, os que cometem imoralidade sexual, os que praticam feitiçaria, os idólatras e todos os mentirosos — o lugar deles será no lago de fogo que arde com enxofre. Esta é a segunda morte”.

Assim como a fé é uma poderosa força por meio da qual a pessoa é capaz de receber cura e salvação, a incredulidade é também uma arma poderosa para levar a pessoa para o inferno – pois ela ativa a justa ira de Deus!

Divisão do Estudo:

I) UM ENSINO QUE CAUSA ADMIRAÇÃO (Vs.1-2):

II) UM HISTÓRICO QUE CAUSA REJEIÇÃO (V.3) :

III) UMA INCREDULIDADE QUE CAUSA ADMIRAÇÃO (Vs.4-6):

I) UM ENSINO QUE CAUSA ADMIRAÇÃO (Vs. 1-2)

1 Jesus saiu dali e foi para a sua cidade, acompanhado dos seus discípulos. 2 Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e muitos dos que o ouviam ficavam admirados. “De onde lhe vêm estas coisas?”, perguntavam eles. “Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E estes milagres que ele faz?

V.1 – Jesus saiu dali = provavelmente Cafarnaum -- A gente entra numa nova seção do Evangelho de Marcos, onde Jesus larga a sua base ministerial que era Cafarnaum e vai ministrar em outros lugares.

Cafarnaum viu muitas obras e ouviu muito do Senhor Jesus, várias vezes eles ficam admirados, mas admiração e espanto são bem diferentes de fé, arrependimento e salvação.

Cafarnaum passa a ser um território de julgamento (Lc.10:13-15 - “Ai de você, Corazim! Ai de você, Betsaida! Porque se os milagres que foram realizados entre vocês o fossem em Tiro e Sidom, há muito tempo elas teriam se arrependido, vestindo roupas de saco e cobrindo-se de cinzas.14 Mas no juízo haverá menor rigor para Tiro e Sidom do que para vocês.15 E você, Cafarnaum: será elevada até ao céu? Não; você descerá até o Hades!”).

**Agora Jesus vai para “sua cidade (πατρίδα/πατρίς)”= patrida = pater = pai --- pátria!

Jesus nasceu em Belém, mas foi criado em Nazaré (Mc.1:9 -Naquela ocasião Jesus veio de Nazaré da Galiléia e foi batizado por João no Jordão; Mt. 2:19-23 -Depois que Herodes morreu, um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, 20 e disse: “Levante-se, tome o menino e sua mãe, e vá para a terra de Israel, pois estão mortos os que procuravam tirar a vida do menino”.21 Ele se levantou, tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel.22 Mas, ao ouvir que Arquelau estava reinando na Judéia em lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Tendo sido avisado em sonho, retirou-se para a região da Galiléia 23 e foi viver numa cidade chamada Nazaré. Assim cumpriu-se o que fora dito pelos profetas: “Ele será chamado Nazareno” )

Sua cidade = Nazaré (Lucas 4:16)

Nazaré ficava nas colinas da Galiléia, com uma população de mais ou menos 500 pessoas – ficava a 40 km do Mar da Galiléia. Acredita-se que depois da invasão da Assíria em 730 a.C. essa região ficara desabitada por um longo período. Ela foi restabelecida como uma cidadezinha agrícola por volta do século 3 a.C. Não havia nenhuma importância econômica, nem política e nem religiosa, por isso não é mencionada em nenhum documento histórico. Algumas pessoas que voltaram do cativeiro babilônico se estabeleceram naquela região e viam aquele lugar com expectativa messiânica. Eles via o estabelecimento daquela cidade com a esperança da chegada do messias - especula-se que a etimologia de Nazaré deriva de netser, um "ramo" ou "broto" (neser – ramo – Isa.11:1 - Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará.)

** Em Marcos 3:21, a gente tem o relato da família de Jesus saindo de Nazaré e chegando em Cafarnaum na tentativa de parar o ministério de Jesus.

Ele não está indo para Nazaré para visitar amigos e almoçar com a família. Ele está indo para mostrar algo muito mais profundo o desprezo daquele lugar e familiares para com Ele.

Esse acontecimento é apenas uma pequena demonstração do desprezo de Israel como nação.

  • “Seguido pelos seus discípulos” --- Muito importante, pois eles estão para assistir uma aula muito prática e realística do que significa seguir a Jesus e pregar o Evangelho!
  • O que esses homens estão prestes a ver é o que vai acontecer com eles!

V.2 - Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e muitos dos que o ouviam ficavam admirados. “De onde lhe vêm estas coisas?”, perguntavam eles. “Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E estes milagres que ele faz / ACR – “e como se fazem tais maravilhas por suas mãos?”

Sábado era o dia principal de culto na sinagoga – assim como para nós é o domingo!

At.13:14-16 - De Perge prosseguiram até Antioquia da Pisídia. No sábado, entraram na sinagoga e se assentaram. 15 Depois da leitura da Lei e dos Profetas, os chefes da sinagoga lhes mandaram dizer: “Irmãos, se vocês têm uma mensagem de encorajamento para o povo, falem”. 16 Pondo-se em pé, Paulo fez sinal com a mão e disse: “Israelitas e gentios que temem a Deus, ouçam-me!.

Como de costume o rabino visitante era convidado a ministrar. Por isso eu acredito que esse evento é o mesmo que Lucas 4, pois eles jamais convidariam Jesus para ministrar novamente.

Aquele jovem judeu (o menino prodígio de Nazaré) que havia feito milagres e pregado com autoridade em outras sinagogas foi convidado para pregar – um grande erro dos líderes da sinagoga como veremos a seguir J!

Muitos ao ouvirem e verem Jesus ministrando – ficaram κπλήσσω – admirados, fora de si com espanto, chocados. Essa é uma reação que Marcos frequentemente usa (1:22;1:27; 2:12; 5:20) , mas de modo nenhum quer dizer que admiração resulta em conversão!

Muitos admiram Jesus, mas poucos os seguem com Senhor e Salvador!

A admiração deve levar a FÉ e a fé em Jesus é comprovada através de uma vida comprometida com o Evangelho!

Eles se perguntam:

** De onde vem tais coisas? De onde vem essa sabedoria que lhe foi dada? Esses poderes (dunamis) que por suas mãos são feitos? --- Muito provável que as curas narradas no versículo 5 ocorreram antes do ensino!

O ensino e a autoridade no modo de ensinar geram um espanto, as pessoas ficam admiradas com Jesus.

***O grande problema é que eles estão mais interessados de onde vem essa sabedoria do que com o conteúdo da mensagem.

A INCREDULIDADE OBSCURECE O ÓBVIO!

O óbvio é que esse conjunto de SABEDORIA e PODER vem de Deus! Ninguém ensina e liberta as pessoas da esfera da morte senão o Deus todo sábio e onipotente!

Mas a incredulidade dessas pessoas não deixam elas verem o mais simples.

O foco deles vai para “de onde vem?

A única resposta seria de Deus.

Jo. 8:45-47 - “Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira.45 No entanto, vocês não crêem em mim, porque lhes digo a verdade! 46 Qual de vocês pode me acusar de algum pecado? Se estou falando a verdade, porque vocês não crêem em mim? 47Aquele que pertence a Deus ouve o que Deus diz. Vocês não o ouvem porque não pertencem a Deus”..

Jo.10:37 - Se eu não realizo as obras do meu Pai, não creiam em mim.38 Mas se as realizo, mesmo que não creiam em mim, creiam nas obras, para que possam saber e entender que o Pai está em mim, e eu no Pai”.39 Outra vez tentaram prendê-lo, mas ele se livrou das mãos deles.

A incredulidade daqueles corações obscurece o óbvio: que Jesus era o Messia!

Sabe quando você tenta falar para alguém sobre Jesus e mostra que os Evangelhos são documentos históricos e que mais de 500 pessoas viram Jesus ressuscitado, que a sua vida foi totalmente mudada, mas a pessoa continua querendo mais evidências e mais provas – é exatamente isso, a incredulidade rejeita o óbvio!

II) UM HISTÓRICO QUE CAUSA REJEIÇÃO (V.3)

3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? Não estão aqui conosco as suas irmãs?” E ficavam escandalizados por causa dele.

Vemos a resposta da pergunta, “De onde vêm tais coisas?” O pessoal quer saber de onde vem essas coisas.

A INCREDULIDADE ELEVA/RESSALTA O DESCENSSÁRIO ou o IRRELEVANTE!

O foco desses homens é no aspecto terreno de Jesus, ignorando o aspecto espiritual e eterno!

a) “Não é este o carpinteiro?” – carpinteiro = τέκτων = alguém que trabalha com materiais duro – madeira, pedra, metais (somente Marcos menciona Jesus como tekton) – não é necessariamente só carpinteiro! Esse tipo de trabalho era extremamente físico, o tekton tinha que construir materiais para a agricultura, para casas e até mesmo consertar barcos.

Esses homens não tinham semelhança alguma com os “Jesus” dos filmes de TV.

Numa vila como Nazaré o tekton tinha que ser muito versátil!

As pessoas dessa profissão eram pessoas normais, não se esperava sofia nem dunamis deles!

** Eles não acreditam que as mãos que operaram aqueles milagres possam ser as mesmas mãos que construía enxadas e mesas! Pois a incredulidade eleva o irrelevante!

b) “Não é este o filho de Maria?” --- esse é o único lugar da Bíblia que aparece essa expressão “ υἱὸς τῆς Μαρίας.

Esse título não é carinhoso!!

Um homem era sempre identificado pelo nome do seu pai. Ser identificado pelo nome da mãe poderia ser um insulto. * Alguns acreditam que esse título é de desprezo já que havia uma história entre os judeus que Jesus era filho de um relacionamento com um outro homem.

Jo. 8:41 - Vocês estão fazendo as obras do pai de vocês”.Protestaram eles: “Nós não somos filhos ilegítimos/de pecado sexual (porneia). O único Pai que temos é Deus” – (Talvez se referindo as idéias de que Jesus houvera sido concebido ilegalmente).

** É provável, também, que o título “filho de Maria” venha devido à morte de José. Jesus como o filho mais velho teria naturalmente assumido o negócio do pai e ficou conhecido como filho de Maria.

Maria estava sempre por ali, eles eram pessoas normais no meio deles.

c) “Não é este o irmão Tiago, José, Judas e Simão?” --- a palavra irmão é δελφός. Os católicos gostam de alegar que essa palavra significa “primo”, para provarem a idéia de virgindade perpétua de Maria. O problema é que Paulo alega que Tiago era irmão (adelphos) de Jesus (Gal.1:19; I Cor. 9:5), ele não usa a palavra anepsioi como já usou em outros lugares (Col.4:10).

Tiago = άκωβος = Jacó e José ---- 2 patriarcas de Israel.

Simão e Judas = 2 famosos Macabeus.

** Uma família com forte expectativa de redenção para Israel.

Tiago se tornou um dos líderes da igreja de Jerusalém e escreveu a carta de Tiago. Judas escreveu a epístola de Judas.

As irmãs não são mencionadas, pois reflete a cultura da época que excluía as mulheres!

*** Seu histórico familiar e profissional sugerem que esse Jesus não passa de um homem qualquer! O foco dessas pessoas é no laço terreno de Jesus!

Diferente dos demônios que vêem Jesus como Filho de Deus (3:11;5:7)!

A incredulidade eleva o irrelevante e obscurece o óbvio!

“E Eles Se Escandalizaram por causa dEle!” ----

Marcos não nos conta o que Jesus estava ensinado na sinagoga naquele dia. Para o autor mais importante que a mensagem foi a reação das pessoas.

* σκανδαλίζω/ skandalizó --- escandalizar, profunda ofensa religiosa. Nesse caso uma rejeição e negação a respeito de Jesus.

O relato de Lucas nos faz entender melhor o porquê de tamanho escândalo! Veja o que Jesus pregou:

Lc. 4:16-30 - Ele foi a Nazaré, onde havia sido criado, e no dia de sábado entrou na sinagoga, como era seu costume. E levantou-se para ler.17Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abriu-o e encontrou o lugar onde está escrito: 18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos 19 e proclamar o ano da graça do Senhor”. 20 Então ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Na sinagoga todos tinham os olhos fitos nele; 21 e ele começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir”. 22 Todos falavam bem dele, e estavam admirados com as palavras de graça que saíam de seus lábios. Mas perguntavam: “Não é este o filho de José?” 23 Jesus lhes disse: “É claro que vocês me citarão este provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo! Faze aqui em tua terra o que ouvimos que fizeste em Cafarnaum’ ”. 24 Continuou ele: “Digo-lhes a verdade: Nenhum profeta é aceito em sua terra. 25 Asseguro-lhes que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu foi fechado por três anos e meio, e houve uma grande fome em toda a terra. 26 Contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, senão a uma viúva de Sarepta, na região de Sidom. 27 Também havia muitos leprosos em Israel no tempo de Eliseu, o profeta; todavia, nenhum deles foi purificado — somente Naamã, o sírio”.28 Todos os que estavam na sinagoga ficaram furiosos quando ouviram isso. 29 Levantaram-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até o topo da colina sobre a qual fora construída a cidade, a fim de atirá-lo precipício abaixo. 30 Mas Jesus passou por entre eles e retirou-se.

Não sabemos se era a leitura do dia ou se Jesus escolheu essa passagem, mas sabemos que Ele alega ser o cumprimento daquela Escritura. A passagem de Isaias 61:1-2 e 58:6 fala do Ano da Salvação – as pessoas sendo curadas, restauradas e libertas do cativero. Ele aplica esse texto ao seu ministério de salvação e libertação!

E se não bastasse Ele fala das boas novas sendo pregadas aos gentios.

O povo fica profundamente ofendido e nega que esse homem tenha autoridade para falar essas coisas!

Se antes Jesus havia crescido em favor (Lc.2:52 - Jesus ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens.) com os homens daquela cidade, agora Ele cresce em desprezo!

Toda vez que o evangelho é pregado por completo ele traz escândalo e rejeição!

É impossível pregar verdadeiramente todo o evangelho de Jesus e não receber crítica ou desprezo!

Toda vez que eu escuto que um livro “cristão” é o mais vendido fora do meio evangélico eu tenho a plena certeza de algo foi omitido! Quando olho para “Vida com Propósito”, “A Cabana”, “7 Passos para Encontrar a Felicidade” (Joel Osteen) – eu SEI que a mensagem da cruz não está sendo verdadeiramente e completamente exposta!

Por quê? Pois o Evangelho ESCANDALIZA!

I Cor. 1:23 – Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus.19 Pois está escrito: “Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes”. 20 Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? 21Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação. 22 Os judeus pedem sinais miraculosos, e os gregos procuram sabedoria; 23 nós, porém, pregamos a Cristo crucificado, o qual, de fato, é escândalo para os judeus e loucura para os gentios, 24 mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus. 25 Porque a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus é mais forte que a força do homem.

I Pe. 2:4-8 - À medida que se aproximam dele, a pedra viva — rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para ele — 5vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo. 6 Pois assim é dito na Escritura: “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa, e aquele que nela confia jamais será envergonhado”.7 Portanto, para vocês, os que crêem, esta pedra é preciosa; mas para os que não crêem, “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular”, 8 e, “pedra de tropeço/escândalo e rocha que faz cair”. Os que não crêem tropeçam, porque desobedecem à mensagem; para o que também foram destinados.

João 6:61 – (contexto Jesus fala de participar do sofrimento dele) Ao ouvirem isso, muitos dos seus discípulos disseram: “Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la?” 61 Sabendo em seu íntimo que os seus discípulos estavam se queixando do que ouviram, Jesus lhes disse: “Isso os escandaliza? 66 Daquela hora em diante, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e deixaram de segui-lo.

O Evangelho é uma grande OFENSA!

Falar que todo homem é gerado em pecado e que do momento que nasce carece de um salvador, pregar que Jesus que era totalmente homem e totalmente Deus viveu uma vida sem pecado, morreu e ressuscitou e aqueles que Deus, pela sua soberana misericórdia, escolheu salvar são salvos mediante a fé nesse Jesus e que mediante a fé a justiça de Jesus é imputada no homem e esse homem é visto como justo diante de um Deus que é totalmente justo, santo e soberano, e esse Juiz o declara livre do inferno eterno é realmente LOUCURA e OFENSA!!!

Uma vez que as pessoas se escandalizam elas atacam o MENSAGEIRO!

As pessoas rejeitam a verdade e se irritam com o mensageiro!

João 15:18 - “Se o mundo os odeia, tenham em mente que antes me odiou. 19 Se vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fossem dele. Todavia, vocês não são do mundo, mas eu os escolhi, tirando-os do mundo; por isso o mundo os odeia. 20 Lembrem-se das palavras que eu lhes disse: Nenhum escravo é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também perseguirão vocês. Se obedeceram à minha palavra, também obedecerão à de vocês. 21 Tratarão assim vocês por causa do meu nome, pois não conhecem aquele que me enviou. 22 Se eu não tivesse vindo e lhes falado, não seriam culpados de pecado. Agora, contudo, eles não têm desculpa para o seu pecado.

III) UMA INCREDULIDADE QUE TRAZ ADMIRAÇÃO (VS.4-5)

4 Jesus lhes disse: “Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra”. 5 E não pôde fazer ali nenhum milagre, exceto impor as mãos sobre alguns doentes e curá-los.6 E ficou admirado com a incredulidade deles.

V.4 –“Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra”

Vemos uma graduação: Própria Terra ---- Parentes ---- Casa!

Em todo lugar, até mesmo entre seus familiares havia o desprezo!

Mat.10:34 - “Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus. 33 Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus. 34 “Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.

Contato com o Evangelho, ou com Jesus como foi o caso, não gera a fé salvadora! Só o contato com o Evangelho não é suficiente, a fé é um dom de Deus!

PROFETA” --- Os profetas de Deus sempre foram desprezados pelo povo de Israel (Moisés, Elias, Eliseu, Isaias, Jeremias, Ezequiel) - todos eles foram desprezados e rejeitados!

V.5 --- Não significa que Jesus ficou limitado! Muito provável que Ele havia imposto as mãos antes do ensino na sinagoga, por isso as pessoas ficaram admiradas com Ele, pois logo depois de pregar as pessoas querem o matar e Ele precisa fugir, por isso mais nenhum milagre foi realizado!

V.6 --- Somente 2 vezes Jesus tem essa reação:

1) Com a fé do centurião!

2) Com a incredulidade de Nazaré!

O grau de profundidade da rejeição para com Jesus gerou espanto nEle! Isso é assustador!

A incredulidade é uma força poderosa!

Heb. 3:19 - Quem foram os que ouviram e se rebelaram? Não foram todos os que Moisés tirou do Egito? 17 Contra quem Deus esteve irado durante quarenta anos? Não foi contra aqueles que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? 18 E a quem jurou que nunca haveriam de entrar no seu descanso? Não foi àqueles que foram desobedientes? 19 Vemos, assim, que por causa da incredulidade não puderam entrar

Rom.11:20 - Se alguns ramos foram cortados, e você, sendo oliveira brava, foi enxertado entre os outros e agora participa da seiva que vem da raiz da oliveira cultivada,18 não se glorie contra esses ramos. Se o fizer, saiba que não é você quem sustenta a raiz, mas a raiz a você. 19 Então você dirá: “Os ramos foram cortados, para que eu fosse enxertado”.20 Está certo. Eles, porém, foram cortados devido à incredulidade, e você permanece pela fé. Não se orgulhe, mas tema.21 Pois, se Deus não poupou os ramos naturais, também não poupará você.

CONCLUSÃO:

1) Assim como a Fé a Incredulidade tem muito poder! Ela obscurece o óbvio e eleva o irrelevante e leva a pessoa para o inferno!

2) O Evangelho é escândalo para o mundo, por isso entenda que ser cristão e pregar o Evangelho de Jesus vai trazer perseguição e ofensa!

3) Familiaridade com o Evangelho e com Jesus não traz salvação. É necessário uma fé verdadeira. É necessário crer que Ele realmente é o Messias, o Deus encarnado que veio libertar os cativos, dar vista aos cegos e trazer salvação! Sinais e maravilhas, por si só, não convertem ninguém!